Quando a Ciência Encontra a Língua de Herança: Impacto com Base em Evidência
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Uma reflexão sobre as evidências que destacam o valor e o legado do programa da Mesma Comunidade Migrante
O programa da Mesma Comunidade Migrante (SMC), foi desenvolvido e implementado pela Native Scientists para introduzir uma abordagem inovadora de aproximação da ciência às comunidades. Através de intervenções curtas e práticas, cria pontes entre crianças migrantes e cientistas que partilham a mesma língua de herança. Um estudo publicado no Journal of Science Education apresenta evidências robustas sobre a eficácia do programa, trazendo novos conhecimentos sobre a forma como iniciativas de comunicação de ciência culturalmente responsivas podem influenciar as atitudes das crianças em relação à ciência.

Aproximar comunidades — da investigação ao impacto
O estudo avaliou uma nova abordagem pedagógica testada no âmbito do programa SMC. Em vez de tratar língua, cultura e ciência como elementos separados, o SMC integra estas dimensões no que os investigadores designaram Science and Heritage Language Integrated Learning (SHLIL).
O SHLIL enquadra a aprendizagem da ciência como uma experiência moldada pela língua e pela identidade: as crianças exploram conceitos científicos através da sua língua de herança, participando em atividades práticas orientadas por cientistas que partilham contextos culturais e migratórios semelhantes. O estudo analisou se esta abordagem poderia influenciar a forma como as crianças migrantes percepcionam a ciência, as suas próprias capacidades e a sua língua de herança, comparando-as com crianças que não participaram nas oficinas nesse período.
O artigo confirma aquilo que comunidades, professores e professoras e cientistas têm observado ao longo dos anos - o modelo SMC funciona na promoção da literacia científica. A experiência de uma oficina científica que reúne crianças e cientistas com uma língua de herança em comum revelou-se positiva para todos os envolvidos. Para os alunos e alunas, a participação aumentou o interesse pela ciência e ajudou-os a reconhecer o seu valor, ao mesmo tempo que reforçou a autoconfiança e a intenção de se envolverem com a ciência no futuro. Os benefícios estendem-se também à ligação com as suas origens, uma vez que as crianças demonstraram maior interesse pela sua língua de herança. Quatro semanas após a oficina, os alunos continuavam a valorizar mais a ciência e sentiam-se mais confiantes a utilizar a sua língua de herança.
A principal contribuição do estudo vai além de demonstrar o sucesso do programa. Mostra que integrar a aprendizagem científica com a língua de herança é uma abordagem pedagógica poderosa para apoiar crianças migrantes e ajudá-las a sentir que a ciência também é “para pessoas como eu”.
O impacto crescente do programa SMC
Até ao momento, o programa contou com a participação de 1.317 pessoas cientistas, muitas das quais regressaram várias vezes para apoiar as suas comunidades. O seu papel é essencial para o sucesso do programa, e o seu compromisso reflete-se em avaliações consistentemente elevadas. A grande maioria das pessoas cientistas participantes classificou as oficinas como muito boas ou excelentes, destacando o valor do programa tanto para o desenvolvimento profissional como para o envolvimento com a comunidade. Estes resultados refletem a escala e a consistência do programa.
Desde o seu início, o programa SMC envolveu 7.648 crianças, através de 30.652 interações com cientistas, oferecendo oficinas em 12 línguas de herança: Português, Italiano, Francês, Espanhol, Alemão, Árabe, Grego, Polaco, Estónio, Croata, Turco e Romeno. Esta diversidade linguística é central para a missão do programa de fortalecer identidade e sentimento de pertença, ao mesmo tempo que promove a literacia científica. Além disso, todos os países alcançados em 2024/25 foram classificados como regiões prioritárias para a inclusão de pessoas migrantes.
Para a Native Scientists, o estudo reforça a importância de iniciativas de divulgação científica culturalmente enraizadas. “O programa SMC mostra que, quando as crianças conhecem cientistas que falam a sua língua e partilham as suas histórias, a ciência torna-se mais próxima e mais inspiradora”, afirmou uma das pessoas cientistas envolvidas na investigação.
Olhando para o futuro: reforçar ciência, identidade e comunidades
O artigo de impacto do SMC continua a orientar o trabalho da Native Scientists por toda a Europa. Mais do que nunca, sabemos que ligar ciência, cultura e língua capacita as crianças, fortalece a confiança e abre caminhos para oportunidades futuras.
À medida que o programa cresce, a Native Scientists mantém o compromisso de expandir o seu alcance, garantindo que todas as crianças, independentemente do seu contexto, possam ultrapassar barreiras linguísticas e de origem para construir um futuro brilhante - seja na área STEM ou em qualquer caminho que os seus sonhos as levem.
Dando continuidade a este impulso, estão planeadas mais oficinas e novas parcerias para o próximo ano. Se quiser acompanhar os próximos passos do programa SMC, visite o nosso website para ficar a par das novidades.
Schiefer, J., Caspari, J., Moscoso, J. A., Catarino, A. I., Miranda Afonso, P., Golle, J., & Rebuschat, P. (2024). Science and Heritage Language Integrated Learning (SHLIL): Evidence of the effectiveness of an innovative science outreach program for migrant students. Science Education, 108(4), 983–1014.




