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Se eu fosse cientista…

há 7 dias
6 min de leitura

Celebrar 12 anos de Prémios Native



“Se eu fosse cientista, criava uma máquina do tempo com muita comida. Voltava a épocas em que havia guerra e distribuía comida.” Foi esta a resposta da Linda, de 9 anos, quando lhe pediram para completar a frase “Se eu fosse cientista…”.


Todos os anos, os Prémios Native, um concurso interescolar, reúnem as perceções e as expectativas de milhares de crianças sobre a ciência e as pessoas cientistas. O concurso tem duas categorias: a Melhor Frase do Ano (“completa a frase: se eu fosse cientista…”) e o Melhor Desenho do Ano (“faz um desenho que mostre o que sabes sobre as pessoas cientistas e o seu trabalho”). Em ambas, as crianças exercitam a imaginação, a reflexão, o desenho e a escrita. É divertido para as crianças e uma oportunidade para a Native premiar e celebrar a imaginação, a criatividade e o entusiasmo.


Ao longo destes 12 anos, as crianças têm expressado desejos, curiosidades e preocupações sobre o seu presente e o seu futuro, às quais a ciência poderia dar resposta.



Ciência como cuidado e conexão


Ao longo dos anos, as crianças têm mostrado que entendem a ciência como uma forma de cuidar dos outros e de criar novas possibilidades. Mesmo que algumas possam não ter uma noção clara da realidade do trabalho científico, parecem reconhecer na ciência um caminho para encontrar soluções e construir um futuro melhor:


“Se eu fosse cientista, fazia tudo para que a minha mãe pudesse andar.” Yanis, 10 anos, Grenoble, 2023/2024
“Se eu fosse cientista, eu faria uma receita de pizza mágica para minha avó não ficar doente.” Sofia, 8 anos, Haia, 2022/2023
“Se eu fosse cientista tentava descobrir a cura para o cancro ou faria uma esponja que lavasse a louça automaticamente.“ Lathyssa, 11 anos, Castro Daire, 2023/2024
“Se eu fosse cientista, tentava fazer com que os legumes fossem doces, para as crianças gostarem mais deles.” Francisco, 11 anos, Cambridge, 2020/2021
Figura 1 - Desenho vencedor da Sofia, 8 anos, Haia, 2022/2023
Figura 1 - Desenho vencedor da Sofia, 8 anos, Haia, 2022/2023

As crianças reconhecem também que esta ideia de ciência como cuidado vai além do seu círculo mais próximo. Para muitas, inclui a preocupação com pessoas que não conhecem, com os animais e com o próprio planeta:


"Se eu fosse cientista, procurava novas fórmulas para ajudar o mundo. Procurava medicamentos para ajudar as pessoas. Descobria formas de vida que ninguém conhece." Mattia, 9 anos, Colónia, 2024/2025
"Se eu fosse uma cientista... eu iria tentar criar uns patins super rápidos que voassem até ao espaço e também uma vacina para que não haja mais doenças." Madalena, 9 anos, Portalegre, 2022/2023

A ciência surge, assim, não só como uma forma de compreender o mundo, mas também como uma forma de cuidar dele. As preocupações ambientais, em particular, repetem-se nas respostas das crianças dos últimos anos:


“Se eu fosse cientista, criava uma máquina que transformasse o CO2 em ar puro e fresco. Esta máquina limpava o ar sujo onde há CO2. Assim, o ar ficava mais limpo e mais saudável.” Julia, 10 anos, Haia, 2021/2022
“Se eu fosse cientista, iria tentar descobrir uma fórmula para manter a biodiversidade do mundo. Porque o futuro e a vida selvagem dependem do equilíbrio que formos capazes de estabelecer entre as nossas necessidades e as necessidades dos animais” Laura, 10 anos, Haia, 2019/2020
“Se eu fosse cientista, seria zoóloga para aprender coisas sobre os animais e mostrar a sua inteligência, para que os possamos respeitar mais. Assim, deixaríamos de poluir o ambiente deles e o nosso planeta.” Josephine, 10 anos, Londres, 2018/2019

A preocupação das crianças com o abandono do ambiente leva-as até a questionar o próprio comportamento humano:


“Se eu fosse cientista, estudaria o comportamento humano, porque não percebo porque é que as pessoas continuam a deitar lixo ao mar.” Matilde, 10 anos, Machico, 2024/2025

Figura 2 - Desenho vencedor da Julia, 10 anos, Haia, 2021/2022
Figura 2 - Desenho vencedor da Julia, 10 anos, Haia, 2021/2022

Para além da proteção e do cuidado, algumas crianças expressam também o desejo de se ligarem e comunicarem com o mundo à sua volta:


 “Se eu fosse cientista, estudava biologia marinha. Investigava os golfinhos para que um dia pudéssemos falar ou comunicar com eles. Também os protegia e estudava o ‘golfinhês’. ” Anna, 10 anos, Munique, 2016/2017
“Se eu fosse cientista, tentaria descobrir as línguas de todos os animais.” Joana, 9 anos, edição Bairros de Intervenção Prioritária, 2025/2026

Ciência como laboratórios e experiências


Enquanto forma de expressão, os desenhos e as frases das crianças revelam não só as suas experiências e preocupações, mas também as ideias pré-concebidas sobre o que é e o que faz uma pessoa cientista. Estas conceções moldam as suas representações e refletem, muitas vezes, imagens estereotipadas: homens de bata, a trabalhar sozinhos em laboratórios, a fazer experiências químicas.


Figura 3 - Desenhos vencedores do Rodrigo, 9 anos, Londres, 2013/2014, e da Matilde, 9 anos, Paris, 2018/2019


Ao mesmo tempo, os próprios desenhos das crianças mostram que estas imagens predefinidas podem ser questionadas. Por exemplo, a ciência pode ser feita por mulheres…


Figura 4 - Desenhos vencedores da Angela, 10 anos, Paris, 2014/2015; da Salma, 11 anos, Pamplona, 2024/2025; e da Mara, 8 anos, Mértola, 2021/2022, respetivamente


A ciência pode ser colaborativa…


Figura 5 - Desenho vencedor da Vera, 10 anos, Machico, 2023/2024
Figura 5 - Desenho vencedor da Vera, 10 anos, Machico, 2023/2024

A ciência pode envolver diferentes áreas de estudo e diferentes objetos de investigação…


Figura 6 - Desenho vencedor da Alice, 9 anos, Santa Maria, 2024/2025
Figura 6 - Desenho vencedor da Alice, 9 anos, Santa Maria, 2024/2025

Ciência como curiosidade e alegria


Se é verdade que as crianças já demonstram uma forte consciência de problemas urgentes como a doença, a poluição e a guerra, também expressam um sentimento de encanto pelo mundo e a vontade de compreender aquilo que ainda desconhecem. Para algumas, quando pensam em ciência, o que prevalece é simplesmente a curiosidade.

“Se eu fosse cientista, tentava descobrir porque é que as estrelas são redondas e não têm forma de estrela.” Charlotte, Edimburgo, 2015/2016
Figura 7 - Desenho vencedor da Emma, 6 anos, Londres, 2015/2016
Figura 7 - Desenho vencedor da Emma, 6 anos, Londres, 2015/2016

“Se eu fosse cientista, gostava de descobrir como é feita a internet.” Maria, 10 anos, Portalegre, 2022/2023
“Se eu fosse cientista, recriava os dinossauros: 1. Pôr o ADN do animal descendente do dinossauro ou o ADN do fóssil do dinossauro num ovo de avestruz. 2. Pô-lo num sítio quente, como se faz com um ovo de galinha! 3. Esperar… esperar… 4. Chocar…” Alessandro, 8 anos, Londres, 2020/2021

Por vezes, mais do que fazerem perguntas como “porque é que as estrelas são redondas?” ou “como funciona a internet?”, as crianças falam diretamente da curiosidade e do valor de aprender:


“Se eu fosse cientista… adoraria a minha profissão porque se aprende muito e nunca faz mal descobrir coisas novas." Martim, 10 anos, Montemor-o-Novo, 2021/2022

Também o desenho da Gabriela (Figura 8) mostra aquilo que as pessoas cientistas podem ter em comum, independentemente da área, da aparência ou dos interesses de investigação: curiosidade e uma mente aberta. No seu desenho, que descreve a “anatomia de uma pessoa cientista”, a Gabriela identificou como características essenciais uma “mente aberta a novas ideias” e “companhia com quem partilhar essas ideias”.


Figura 8 - Desenho vencedor da Gabriela, 8 anos, Londres, 2017/2018
Figura 8 - Desenho vencedor da Gabriela, 8 anos, Londres, 2017/2018

Por fim, há um grupo de respostas que não se foca no que as crianças fariam se fossem cientistas, mas sim em como se sentiriam a fazê-lo:


“Se eu fosse cientista, fazia experiências divertidas para ajudar as crianças a aprender. Usava batas e luvas coloridas para me fazerem feliz. Criava uma máquina do tempo e uma cura para a pior doença do mundo. Mas, acima de tudo… ia DIVERTIR-ME!” Diana, 11 anos, Jersey, 2014/2015

Figura 9 - Desenho vencedor da Luísa, 10 anos, Montemor-o-Novo, 2021/2022
Figura 9 - Desenho vencedor da Luísa, 10 anos, Montemor-o-Novo, 2021/2022

“Se eu fosse cientista, fazia todo o tipo de experiências, porque gosto de saber o porquê e o como das coisas à nossa volta, e é por isso que adoro ciências.” Lídia, 10 anos, Tomar, 2021/2022

No seu conjunto, estes testemunhos sugerem que as ideias das crianças sobre a ciência vão além do conhecimento científico ou das competências técnicas. Os 12 anos de Prémios Native são a prova de que as crianças imaginam a ciência como um espaço de esperança e de novas possibilidades.


Muito em breve, vamos anunciar as crianças vencedoras deste ano. Segue-nos nas redes sociais para ficares a saber quem foram.


E tu? O que farias se fosses cientista?



Sobre a Native Scientists

Fundada em 2013, a Native Scientists é uma organização pan-europeia, sem fins lucrativos, premiada internacionalmente, que cria pontes entre crianças de e cientistas de comunidades desservidas. Existe para ampliar os horizontes das crianças através de programas educativos de ciência, promovendo a literacia científica e a redução das desigualdades.

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